17/10/2016

PORTUGAL - 1961 - Cent. Fundação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa


Estará em praça no 68° leilão da firma Leilões Paulo Dias, Lda, previsto para Dezembro p.f., o seguinte exemplar


Esta variedade vem sendo referenciada e cotada nos catálogos especializados nacionais (Simões Ferreira, Ateneu, Afinsa e Mundifil).

Afinsa 2013

Nos últimos tempos tem surgido com alguma frequência, tem mercado e vem sendo transaccionada por valores interessantes (preços de martelo, sem alcavalas).

34° leilão do C.F.P.

Desta série é conhecido um conjunto de provas de cor da taxa de 1$00, denteadas e não denteadas. Eis alguns exemplares.


 

Feito o intróito, e antes de tocar na ferida, há uma questão premente que importa levantar e ver esclarecida
- Filatelicamente, o que se entende por um selo usado? 
Obliterado com uma marca (corrente, comemorativa ou outra) utilizada na época de circulação do selo?
Anulado com uma marca de dia (ou outra), parcial e impossível de classificar? 
   
Sim, em ambas as condições. Nim, depende das emissões e de situações especiais. 
    
O critério da dependência parece-nos o mais prudente e recomendável. São disso exemplo o ocorrido com algumas emissões comemorativas "especulativas", nomeadamente e em particular a da Atravessia Aérea do Atlântico (1923).

Acontece que existe uma peça curiosa da taxa de 6$50, vinda na esteira das provas denteadas supra, que nos obriga a reflexão e a questionar o erro de impressão.
    
 lote n° 137 do leilão João Pedro de Figueiredo, realizado em 14.06.2008

Embora não muito comum, a impressão desta combinação, em múltiplo, é mais plausível em ensaios/provas do que em estampilhas para uso postal. 
Como e quando é verosímil a ocorrência deste tipo de erro, num processo de produção industrial, sendo a técnica de impressão o talhe doce?
Muito mais perplexos ficamos com argumentações que roçam o devaneio, com conclusões empíricas baseadas no princípio da autoridade...


- Como é que disse? Como assim?
Não estranhamos que a hipótese de "erro" total da impressão, i.e., quadro e centro, fosse automaticamente aproveitada por argutos e hábeis filatelistas/comerciantes com imaginação fértil e sem limite. Para não alimentar mais sofismas e afastar o risco da sua inclusão em futuras edições dos catálogos, coloca-se uma tira de 3, não menos espectacular do que o "único par horizontal" então conhecido. Enfim...
  
lote n° 117 do leilão João Pedro de Figueiredo, realizado em 08.12.2007
 

Como remate - o post já vai longo - não sendo nosso desígnio fazer o "funeral" à variedade, quais gatos-pingados, face ao exposto sentimo-nos na obrigação de deixar o alerta. Os exemplares "usados" aduzidos não fazem prova do uso postal (qualquer indivíduo com acesso a um carimbo poderia perfeitamente anular as estampilhas...), nem sequer a existência de um FDC não circulado, pois como bem sabemos os carimbos comemorativos estiveram acessíveis ao comum dos filatelistas por um largo período de tempo. Assim sendo, pensem duas vezes antes da sua aquisição e, se nos é permitido um conselho, pensem três vezes! 
É que gato escaldado, de água fria...


P.S. – Idêntica laboração no erro ocorre com o selo da taxa de 20 réis, castanho, da emissão de 1910 - D. Manuel II.


Sem comentários:

Publicar um comentário