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01/04/2018

PORTUGAL - 1870-1876 - D.Luis I. Fita Direita


Estará em praça no 73º leilão da casa P.Dias, Ldª o seguinte lote...



O tipo II, em papel liso e denteado 12½, não é apenas mais raro que o tipo I. É, indubitavelmente, muitíssimo mais raro!
No âmbito de uma colecção especializada, a importância filatélica assim como, por inerência, o valor de mercado, são bem diferentes, fazendo prova da importância da identificação dos tipos/cunhos dos selos clássicos portugueses.
Estas e outras notas agregadas aos lotes, feitas por filatelistas profissionais experientes, são sempre bem vindas. 
Dispensáveis são as falsas informações: este par de selos é do tipo I.




06/12/2016

PORTUGAL - D. Luis I. Fita Direita


No leilão n° 68 da casa Leilões P. Dias, Lda estará em praça a seguinte peça...


Trata-se do lote n° 624, inserido na classe INTEIROS POSTAIS, com a seguinte descrição:
"Sobrescritos Particulares- 1877, Fita Direita (O Anúncio Postal)- Envelope da Série n.º 2 com par de 25 rs carmim colado, Mf-40 (#2), C. XIV, D. 13½, circulado de Lisboa (12-4-77) para a Alemanha (17-4). Inúmeros Temas incluindo Hotelaria, Lotaria/Jogos, Vinhos, Relojoaria, Farmácia, Indústria, Medicina, Chapelaria, Moda, entre outros (Ex- David Cohen). Muito raro. B/MB."

As características e enquadramento desta peça remetem-nos para um artigo de David Lopes Cohen "Inteiros Postais Particulares – 2.ª Parte", publicado no boletim n° 412 do Clube Filatélico de Portugal. link


Após atenta observação do sobrescrito em praça - gatos falam com os rabos - detetamos algumas curiosidades e incongruências:
1. A diferente denominação dos objectos;
2. A franquia composta por um par de selos "fita ditreita" de 25 réis;
3. O par de selos da franquia aposto sobre o carimbo comercial do remetente;
4. A anotação impressa "Cada espaço tem direito a 40 sobrescriptos gratis";
5. Dois espaços com anúncios do remetente.




Dando crédito à existência de Sobrescritos Inteiros Postais Particulares requisitados pela Casa Havaneza (1) aos correios já com o selo colado, produzidos por particulares e pensados para circular internamente (porte simples do correio ordinário), adquirindo assim a denominação de Inteiros Postais, parece-nos que o objecto postal em apreço não se enquadra em INTEIROS POSTAIS PARTICULARES COM A TAXA NÃO IMPRESSA, apesar da natureza e similitude entre ambos.

Assim sendo, fica o alerta, pois são objectos postais distintos, com diferente interesse e grau raridade sob o ponto de vista filatélico e, não menos negligenciável, no que diz respeito aos valores de mercado.



(1) Cuja existência ainda perdura e imortalizada na literatura portuguesa por Eça de Queiroz em "O Crime do Padre Amaro", "Os Maias" e "A Correspondência de Fradique Mendes", por Guerra Junqueiro em "No Chiado" e por José Cardoso Pires em "Lisboa - Livro de Bordo").


19/11/2016

PORTUGAL - D. Luis I. Fita curva. Não denteados


Encontramos no eBay o seguinte exemplar com a seguinte descrição:  
"Portugal - Scott #24 1866 120r King Luiz imperf blue MNG, hr [hinge remnant], pm [pencil mark on back], no gum but pristine looking. Paper indicates probable 1885 reprint (issued no gum)."

Trata-se efectivamente de uma reimpressão de 1885.
Este é um dos selos que mais vezes encontramos no mercado com descrições dúbias ou erróneas, muitas das vezes de forma deliberada. A similitude dos originais com um dos falsos filatélicos, as reimpressões e a existência de selos da emissão denteada com o denteado aparado prestam-se a ambiguidades e propensos a situações de gato por lebre.

Para nos habituarmos a destrinçar facilmente os originais dos falsos, das reimpressões e dos exemplares aparados, nada melhor do que um simples exercício prático.
Nesta amostra encontramos cópias originais, falsas, reimpressões e aparadas.







FALSOS
São conhecidos dois tipos de falsos filatélicos: o falso italiano e um outro de origem desconhecida, ambos em novo e em "usado".
Como falso italiano temos os exemplares 4, 7 e 9. Embora muito semelhantes aos originais são facilmente detectáveis se observarmos com atenção, para além de outros pormenores, os algarismos do lado direito da fita superior e o canto inferior direito (fig. 1): os falsos, a área interior do zero é menor e a zona de curvatura do algarismo dois em face ao zero não é perfeita; no canto apresentam uma pequena fenda vertical no quadro. Estes falsos abundam no mercado filatélico, normalmente com margens generosas. Aos exemplares em "usado" foram-lhes aplicados carimbos forjados, sendo os mais frequentes o de pontos (n° 1), barras 4:3:4 (n° 137), 3:2:3 (n° 46 e 136) e o mudo de 8 barras.
O falso de origem desconhecida é o exemplar na posição 8. É uma reprodução bem mais grosseira do que a anterior, em papel mais espesso e ligeiramente amarelado. Os exemplares em novo apresentam-se com goma amarela e aos "usados" foi-lhes aposto um carimbo falso (fig. 2), geralmente mal batido. A observação das fitas é suficiente para os identificar: os algarismos afastados das extremidades dos topos das fitas e as respectivas linhas de contorno  são aspectos bem elucidativos.

REIMPRESSÕES
Deste selo foram feitas reimpressões oficiais em 1885 e 1905. Contrariamente à opinião de alguns estudiosos dos nossos selos clássicos, pensamos que foi utilizado um segundo cunho na sua produção, assim como em todos os originais da emissão denteada. Com efeito, ambas as reimpressões e os originais da versão denteada apresentam-se com uma pequena cavidade próxima ao relevo da orelha do monarca (fig. 3). Outro aspecto a fixar: as variantes a, b e c são conhecidas em originais e a variante d apenas nas reimpressões (fig. 4). Assim sendo, encontramos reimpressões nas posições 2 (1885) e 6 (1905). As características do papéis e as tonalidades são suficientes para distinguir uma da outra. Na dúvida ou quando as observamos indirectamente através de imagens, atentemos e comparemos o topo da fita do canto inferior esquerdo (fig. 5): o topo da fita está mais próximo do quadro (1885); o algarismo 1 está mais próximo do topo da fita (1905).

APARADOS
A perfuração das folhas com a finalidade de facilitar a separação dos selos não teve adesão imediata. As resistências à inovação levaram o seu tempo até se vulgarizar o seu uso e, no entretanto, a tesoura continuou a separar uma boa parte dos selos das primeiras emissões picotadas, atingindo e danificando irremediavelmente o denteado dos selos. Em presença de selos com denteado irregular ou danificado, e em presença de duas emissões "iguais" - estava consolidado que o denteado era a única particularidade que as distinguia -, certos filatelistas/comerciantes não hesitaram em eliminar todo o denteado para recuperar os exemplares imperfeitos, transformando-os assim em selos da emissão não denteada. No mercado muitos são os selos que advêm deste expediente: têm margens diminutas (cabem no interior da área de um selo denteado…) e apresentam comummente obliterações da segunda reforma postal, i.e., de morfologia oval composta por oito barras, duas delas interrompidas. Realça-se, porém, que nem todos os selos nestas condições provêm de situações de contrafacção, pois muitos foram os exemplares que herdaram margens diminutas devido ao antigo método de separação dos selos. Todavia, no caso específico desta taxa, o pormenor da pequena cavidade junto à orelha é determinante na identificação dos selos aparados e, como já anteriormente sublinhado, esta característica só está presente nos selos originais da emissão denteada e em todas as reimpressões de ambas as emissões. Assim, os exemplares nas posições 1 e 10 são, sem qualquer dúvida, selos oriundos de selos denteados e por conseguinte a evitar que constem nas nossas colecções.

ORIGINAIS
Por exclusão de partes, os selos nas posições 3, 5, 11 e 12 são todos originais.  O exemplar na posição 5 é um original apesar de se apresentar com margens curtas, visto que o ponto em cavado não está presente.


27/10/2016

PORTUGAL - 1862-1864 - D.Luis I


Esta preciosidade encontra-se no eBay, com seguinte descrição:
      
"PORTUGAL.  1865 (July). Cover to PARIS at quadruple rate, franked by 1862-64 25r. rose (4) all tied by Lisbon numeral ´1´ handstamps in black. Charged 32 decimes due on receipt (July 16) in manuscript on arrival. A rare cover. Scott 14."


Nessa data, a uma carta ordinária do 4° escalão de peso (22,5g – 30g) para a França, encaminhada via Espanha, correspondiam efectivamente 100 réis de porte territorial, sendo taxada à chegada em 32 décimes (8 décimes por cada 7,5g ou fracção), valor a pagar pelo destinatário.

O que o vendedor não diz – faz-se gato sapato do incauto – é que a franquia apresenta uma singularidade: selos obliterados em Lisboa e no Porto.



11/10/2016

PORTUGAL - 1867-1870 - D.Luis I. Fita curva, denteados


Encontra-se em praça no eBay (item #252578303759) o seguinte selo e respectiva descrição...



Estranhamente - ou talvez não - da mesma proveniência encontramos um exemplar de outra emissão com as mesmas características (item #252575566004)...

Na prática, nesses tempos idos, seria inverosímil a aceitação e circulação de uma estampilha postal sem a impressão da tinta. As impressões albinas (apenas do relevo), para além de raríssimas, encontram-se associadas a exemplares com dupla impressão, sendo uma delas normal (relevo e tinta). Este tipo de dupla impressão, sendo um acidente de reduzida probabilidade, poderia resultar da impressão simultânea de duas folhas juntas, voltando a ser utilizada a inferior recebendo assim nova impressão.

Ora, acontece que algumas das tintas utilizadas na impressão dos selos clássicos portugueses eram pouco firmes e frágeis, alterando-se facilmente com a humidade e prolongada exposição à luz artificial ou solar, resultando daí tonalidades mais pálidas. Esta debotação é notória nas cores carmim/rosa e lilás/violeta. Sabendo nós disso, fizemos uma experiência e mergulhaamos um exemplar em lixívia... Bastou uma dezena de segundos para obtermos uma "raridade".


Dos "albinos" em praça poderemos concluir que estamos perante barrelas, com toda a segurança e propriedade!