19/11/2016

PORTUGAL - D. Luis I. Fita curva. Não denteados


Encontramos no eBay o seguinte exemplar com a seguinte descrição:  
"Portugal - Scott #24 1866 120r King Luiz imperf blue MNG, hr [hinge remnant], pm [pencil mark on back], no gum but pristine looking. Paper indicates probable 1885 reprint (issued no gum)."

Trata-se efectivamente de uma reimpressão de 1885.
Este é um dos selos que mais vezes encontramos no mercado com descrições dúbias ou erróneas, muitas das vezes de forma deliberada. A similitude dos originais com um dos falsos filatélicos, as reimpressões e a existência de selos da emissão denteada com o denteado aparado prestam-se a ambiguidades e propensos a situações de gato por lebre.

Para nos habituarmos a destrinçar facilmente os originais dos falsos, das reimpressões e dos exemplares aparados, nada melhor do que um simples exercício prático.
Nesta amostra encontramos cópias originais, falsas, reimpressões e aparadas.







FALSOS
São conhecidos dois tipos de falsos filatélicos: o falso italiano e um outro de origem desconhecida, ambos em novo e em "usado".
Como falso italiano temos os exemplares 4, 7 e 9. Embora muito semelhantes aos originais são facilmente detectáveis se observarmos com atenção, para além de outros pormenores, os algarismos do lado direito da fita superior e o canto inferior direito (fig. 1): os falsos, a área interior do zero é menor e a zona de curvatura do algarismo dois em face ao zero não é perfeita; no canto apresentam uma pequena fenda vertical no quadro. Estes falsos abundam no mercado filatélico, normalmente com margens generosas. Aos exemplares em "usado" foram-lhes aplicados carimbos forjados, sendo os mais frequentes o de pontos (n° 1), barras 4:3:4 (n° 137), 3:2:3 (n° 46 e 136) e o mudo de 8 barras.
O falso de origem desconhecida é o exemplar na posição 8. É uma reprodução bem mais grosseira do que a anterior, em papel mais espesso e ligeiramente amarelado. Os exemplares em novo apresentam-se com goma amarela e aos "usados" foi-lhes aposto um carimbo falso (fig. 2), geralmente mal batido. A observação das fitas é suficiente para os identificar: os algarismos afastados das extremidades dos topos das fitas e as respectivas linhas de contorno  são aspectos bem elucidativos.

REIMPRESSÕES
Deste selo foram feitas reimpressões oficiais em 1885 e 1905. Contrariamente à opinião de alguns estudiosos dos nossos selos clássicos, pensamos que foi utilizado um segundo cunho na sua produção, assim como em todos os originais da emissão denteada. Com efeito, ambas as reimpressões e os originais da versão denteada apresentam-se com uma pequena cavidade próxima ao relevo da orelha do monarca (fig. 3). Outro aspecto a fixar: as variantes a, b e c são conhecidas em originais e a variante d apenas nas reimpressões (fig. 4). Assim sendo, encontramos reimpressões nas posições 2 (1885) e 6 (1905). As características do papéis e as tonalidades são suficientes para distinguir uma da outra. Na dúvida ou quando as observamos indirectamente através de imagens, atentemos e comparemos o topo da fita do canto inferior esquerdo (fig. 5): o topo da fita está mais próximo do quadro (1885); o algarismo 1 está mais próximo do topo da fita (1905).

APARADOS
A perfuração das folhas com a finalidade de facilitar a separação dos selos não teve adesão imediata. As resistências à inovação levaram o seu tempo até se vulgarizar o seu uso e, no entretanto, a tesoura continuou a separar uma boa parte dos selos das primeiras emissões picotadas, atingindo e danificando irremediavelmente o denteado dos selos. Em presença de selos com denteado irregular ou danificado, e em presença de duas emissões "iguais" - estava consolidado que o denteado era a única particularidade que as distinguia -, certos filatelistas/comerciantes não hesitaram em eliminar todo o denteado para recuperar os exemplares imperfeitos, transformando-os assim em selos da emissão não denteada. No mercado muitos são os selos que advêm deste expediente: têm margens diminutas (cabem no interior da área de um selo denteado…) e apresentam comummente obliterações da segunda reforma postal, i.e., de morfologia oval composta por oito barras, duas delas interrompidas. Realça-se, porém, que nem todos os selos nestas condições provêm de situações de contrafacção, pois muitos foram os exemplares que herdaram margens diminutas devido ao antigo método de separação dos selos. Todavia, no caso específico desta taxa, o pormenor da pequena cavidade junto à orelha é determinante na identificação dos selos aparados e, como já anteriormente sublinhado, esta característica só está presente nos selos originais da emissão denteada e em todas as reimpressões de ambas as emissões. Assim, os exemplares nas posições 1 e 10 são, sem qualquer dúvida, selos oriundos de selos denteados e por conseguinte a evitar que constem nas nossas colecções.

ORIGINAIS
Por exclusão de partes, os selos nas posições 3, 5, 11 e 12 são todos originais.  O exemplar na posição 5 é um original apesar de se apresentar com margens curtas, visto que o ponto em cavado não está presente.


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